segunda-feira, 5 de maio de 2014

ESTA TAL PETROBRÁS!!! - ou - PUXEM A CORDINHA POR FAVOR!

Com os cotovelos apoiados sobre as pernas, as mãos segurando o queixo amolecido pela circunstâncias, recordávamos de nossa inércia em relação a este blog. Blog, Blog...a coisa batia na água, o que nos inspirou a escrever essa matéria.
Esse veículo prima pelo debate acerca do modelo de Estado que se calcificou nas entrelinhas da história do Brasil. A participação direta do Estado na economia por meio de empreendimentos estruturados sob a forma de empresas, públicas ou de capital misto, em regime de direito privado, sempre foi objeto de celeuma.
 Diz-se que Monteiro Lobato, grande incentivador da campanha alcunhada de "o petróleo é nosso",  mantinha grande interesse no assunto. Tinha pretensões empresariais e chegou a negociar privativamente nesse sentido. O que importa é identificar quem é o sujeito oculto que se liga ao pronome possessivo referente aquele petróleo de que se está a falar. Sejamos francos: a expressão "nosso", quer dizer, na verdade, "dele que está a falar". Ele, o que está a falar, é o sujeito oculto e plural que se refere ao petróleo, como "seu". Ele e os seus, portanto, eles, sempre nos disseram que o petróleo é ....deles, ou seja, "nosso", "da gente que vos fala". Vós, sem voz, povo brasileiro ou Brasil, são os ouvidos a quem se destina o lema da referida campanha. Recontextualizando: Brazil! O petróleo é nosso!
Em homenagem à Lobato, contaremos uma estorinha: era uma vez a Petrobrás. Ela era um gigante do mundo dos negócios. Multinacional brasileira. Certa vez, ela soube que uma empresa belga, a Astra Oil Company, comprou uma refinaria no Estados Unidos por quarenta e dois milhões de dólares. Passadena, era o nome da refinaria, sediada no Texas Esperta como era, a Petrobrás ofertou por metade da refinaria belga  trezentos e sessenta milhões de dólares, o que foi logo aceito. A Astra Oil Company, então, detentora de 50% da refinaria, por motivos de divergência com a Petrobrás , vendeu a sua parte por apenas oitocentos e vinte milhões de dólares. Quem decidiu esse valor foi uma instituição de arbitragem sediada nos Estados Unidos. "Compre já por oitocentos e vinte milhões de dólares a outra metade da empresa belga", disse o árbitro. E a Petrobrás obedeceu. Ela era legalzinha.
No reino encantado de narizinho cumprido, a imprensa descobriu que o Tribunal de faz de Contas da União investigava uma possível irregularidade. A notícia se espalhou e quando o ridículo foi tornado público, descobriram que a Presidente do Conselho de Administração da empresa, à época, era a que hoje preside um gigante chamado Brasil. Dopadaço, é claro!
Em nota oficial, informou-se que o resumo do negócio deixou de fazer constar informações relevantes. Cláusulas- padrões internacionais como a put option (obriga a adquirir as ações da outra empresa em caso de conflito) e Marlim (garantia de lucro mínimo a outra empresa mesmo diante de prejuízos) não teriam sido informadas no resumão do negócio. A atual presidenta da Petrobrás, no Congresso, afirmou que o negócio foi mesmo uma merda e reafirmou, ainda,  que só foi autorizado pela presidente do Conselho de Administração - Dilma - porque ela  desconhecia estas e outras condições. Não conhecer porra nenhuma parece uma endemia dos governos nacionais dos últimos tempos. Não saber de nada também.
Numa linguagem acadêmica, explica que todos sabem que os assessores, ao se reportarem a um negócio, devem indicar os seus pontos fortes e vulnerabilidades, o que é verdadeiro, entretanto, olvida em dizer que isso não exclui aquilo, qual seja, a leitura do contrato. Argumentos e explicações esdrúxulos são tratados pela imprensa e pelos especialistas como tese razoável de defesa, sustentando que a  ignorância da Presidenta do Brasil, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás à época desse escandaloso negócio, somente fez esta merda porque ignorou aspectos importantes do negócio, como se ignorar aspectos importantes do negócio, consignados no contrato, pudesse implicar em que não precisaria sequer lê-lo. Algo do tipo: "Se ignorarem que eu não podia ignorar o que eu ignorei, eu poderei continuar ignorando tudo". Ignorem isso por favor...
As empresas públicas vem servindo para institucionalizar  politicagens tacanhas e desonestas, sustentar canais de televisão e jornais com propagandas e matérias oficiais pagas,  engordar a conta de administradores e empregados públicos de luxo, cuja única função é fazer parecer sério, um plexo de negócios esquisitos, que não se sustentam à luz das regras do mercado, da economia, da administração, do direito, de porra nenhuma. Incontrolavelmente de porra nenhuma. Porra nenhuma já é, por si só, uma expressão que não indica porra nenhuma, portanto, adequada ao que se pretende aqui objeto de desabafo.
Atrás destes monstros institucionais, estão acomodados interesses de sindicatos, partidos políticos, políticos de ambas as esferas de governo, que sugam o patrimônio público brasileiro pela antiquíssimo método de patrocinar apoios da política local, em troca de um empreguinho ou um contratinho mal licitado.
Inauguremos, sociedade brasileira, novos padrões de cláusulas que não possam ser ignoradas pelo desgoverno que nos dirige, cotidianamente, ao caos e a total ausência de valores morais minimamente aceitáveis. A cláusula "put que pariution", a "vades tomarus no sus cum" e, finalmente, a cláusula "gradis nelis imediatum ment".
Blog.....blog.....
Cansei!

Puxem a cordinha por favor.


sábado, 26 de outubro de 2013

A Constituição da República Frankeinsteinica do Brasil: o estranho caso do zumbi que não sabia de sua morte e comemorava o seu aniversário.

Em outubro do corrente ano um zumbi de natureza constitucional comemora o seu aniversário. No bolo, vinte e cinco velas e setenta e cinco cirurgias plásticas; um sorriso artificioso oculta uma série de transplantes e enxertos costurados e ocultados às custas de muita maquiagem. Um ente outrora nascido do amor entre uma sociedade e sua esperança, logo após o parto, sofreu a sua primeira cirurgia. Foi operado em um hospital público e o que era para ser uma mera operação de fimose, visando preservar sua capacidade de geração,  culminou  numa castração, pelo que diz o povo, fortuita. O sangue do coitado, conta-se, jorrou pelo chão. "Uma hemorragia externa!" gritavam os cirurgiões. Os anestesistas de plantão foram acionados, e, na época, atendimentos de emergência eram pagos em dólar.  Aplicaram anestesias tópicas de efeitos prolongados, à base de democracia, alertando ao decepado dos perigos relativos às contraindicações: A ditadura pode voltar ainda mais dura, diziam.
Os médicos não deram baixa ao paciente. Paciente, o paciente, com o tempo, começou a estranhar o prognóstico, e, cansado do leito, que se dizia, esplêndido, perguntou se a fimose era tão grande assim que pudesse haver produzido cicatrizes tão profundas. Alguém lhe anestesiou a língua. Era necessário, constou do prontuário.
ANH! ANH! ANH! tentou falar com as enfermeiras do plantão noturno. As mesmas acionaram a emergência e outro médico apareceu, cortando-lhe a língua. Não deu alguns meses, dopado, ao abrir os olhos, reconheceu o médico que lhe havia extraído a fimose. Com o olhar, queria apenas confirmar que o tamanho da fimose, proporcional ao do curativo que lhe cobria as partes, guardava outras relações métricas que lhes podia interessar, mas notou, subitamente, sobre o curativo, várias palavras escritas em letras minúsculas. Com olhos embaçados, conseguiu notar do que se tratava: democracia, democracia, democracia...formavam figuras bonitinhas como aqueles que se pode notar em fraudas infantis. A democracia era a marca dos produtos utilizados para estabelecer o curativo, e ele nunca mais foi retirado dali, onde nada mais havia.
Para evitar novos reconhecimentos, extraíram-lhe os olhos, e, claro, cobriram-no com mais curativo. Para encurtar a estória, enquanto o baço, o fígado, os pulmões, o coração, os rins, o pâncreas, as moelas e as gorduras eram levadas para os porcos se alimentarem em um pequeno balde enferrujado, as mãos e os braços foram doados para estudos, pois a educação era , de fato, a principal meta social a ser consolidada pelo Estado, discursavam deputados e senadores.
Deixaram apenas os intestinos. Esses poderiam permanecer intactos, pois seriam de efetiva utilidade, conforme extraiu-se do boletim médico. As razões clínicas que determinaram essa opção foram reputadas segredo de Estado. Dado o avanço  da medicina, enxertaram um pedaço dos preservados intestinais no cérebro, e criaram, a partir da célula tronco do moribundo,  um coração, não havendo sido especificado de qual parte do corpo houvera sido extraído o tecido que iria fomentar a sua reprodução. O estetoscópio auscultava, entretanto, sinais de pulsação, embora o odor que se desprendeu houvera constrangido médicos e enfermeiros.
Concluindo o processo de transfiguração do infante de um dia, esticaram-lhe a pele da face, para parecer que estava sorrindo e feliz, e, finalmente, um laudo psicológico que atestava seu inconteste equilíbrio emocional e consciência de existir. Não podia sorrir demais para não se lhe  rasgar a textura.
 O espírito do infante desencarnado, assistia a tudo fora de seu corpo, mas não se desesperou, pois fora criado acreditando na migração das almas. As más línguas diziam que um laudo opcional - uma espécie de plano B - já havia sido elaborado, declarando-o, caso conseguisse escapar, louco e perigoso. Esse laudo, dizem as mesmas más línguas, foi guardado à sete chaves nos anais do Congresso Nacional. Nos anais desse supremo órgão deliberativo foi também ocultado o prontuário do pequeno infante.
O zumbi cresceu grande e forte. Após tantas extrações e mutações, parece mesmo um homem.
Nos dias atuais, o zumbi representa a fonte de todas as garantias e direitos que regulam a sociedade. Como toda mãe, ela acredita que esse monstruoso e costurado ser é mesmo o seu filho. Às vezes desconfia de alguma coisa, mas não tem forças para depurar possibilidades.
A Constituição Federal, promulgada em 05 de outubro de 1988, completou vinte e cinco anos de existência. Nesse período, sofreu setenta e cinco Emendas Constitucionais, o que resulta numa média de três Emendas por ano. Para que uma Emenda seja introjetada no sistema constitucional, é necessária a sua aprovação nas duas casas, por quorum qualificado, em dois turnos de votação em cada uma delas. O tempo para aprovar uma Emenda Constitucional, deveria ser relativamente extenso em decorrência do amplo debate que se exige para a sua aprovação, pois mobiliza diversos segmentos sociais e entes políticos. Três Emendas Constitucionais devem ter tomado todo o tempo do Congresso Nacional em cada ano de instauração dessa fatídica trilogia.
 Instiga-nos a curiosidade, saber como o órgão legislativo supremo conseguiu aprovar tantas Emendas, e ainda, cumprir o seus mister constitucional de deliberar propostas de sua iniciativa, apreciar projetos de outros poderes, fiscalizar as contas da União, instituir Comissões Parlamentares de Inquérito, elaborar o orçamento, etc, etc, etc,. Caso se conclua pela sua eficiência, restaria questionar a necessidade de tantas Emendas alterando o que o legislador constituinte instituiu em sua origem e quais interesses foram contidos no bojo dessas alterações. Caso se repute necessárias as referidas alterações no Texto Fundamental, e aqui se duvida que possa haver uma explicação razoável, como conseguiram processar, em média, três Emendas por ano?  Vamos alterar a Constituição? Vamos! ÊÊÊÊÊBA!!! Uma, duas, três vezes e já!! Já? Já! Fácil assim? Não entendi a pergunta!? Perdoem. Nós não entendemos ambas as perguntas. Danem-se as respostas!
O zumbi maquiado move-se sobre a ação dos fios invisíveis articulados pelas mãos igualmente invisíveis de artistas ainda não identificados. A marionete parece viva e a sociedade acalenta sua existência apenas porque se movimenta como um ser vivo. As palavras de um zumbi jamais poderiam ser acatadas com tanto servilismo assim. Fala do que lhe é próprio: um nada existencial despropositado.
Que o espírito do infante assassinado retorne ao útero de sua mãe, e, renascido das cinzas de outrora, corte os fios invisíveis que sustentavam os movimentos inautênticos e amorfos de Frankeisntein.
Pinóquio está triste. As atenções se voltaram em outubro do corrente ano, para a Constituição Federal.
O grilo falante foi engolido pelo rato. A primavera entristeceu.

PS: Genetriz Estatal inaugura sua seção de vídeos buscando contribuir, com gotinhas de possibilidades, para a compreensão de Frankeinstein , digo, do Estado no contexto das modernas correntes que o explicam, em linguagem mais direta e alegórica. Que essas gotinhas representem gotas de veneno aqueles que pensam que mentindo ao povo, podem sustentar sua ignomínia por tanto tempo assim.



terça-feira, 9 de julho de 2013

EDWARD SNOWDEN - O LIAME ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO

Caso notabilizado pela imprensa internacional, a notícia de que um ex-agente da Agência de Segurança Nacional Norte-Americana teria levado a público o programa de captação de dados do governo dos Estados Unidos da América - agora quase Estados Unidos da Porra Toda - com uso de tecnologia avançada que, diante da ignorância do governo do Brasil, na falta de uma designação semiótica fidedigna (tipo sei lá entende?) foi chamado de sistema de captação de metadados - meta, querendo significar - algo tipo assim que não sei do que se trata - rastreou informações da comunidade internacional, pública e privada, fundamentado na lei de segurança nacional da supra sumíssima para cacete potência mundial, a pretexto de combater o terrorismo. 
Genetriz Estatal renasce das cinzas para ver renascer, junto com ela, uma forma de nazismo sofisticada, onde o poder se centra no conhecimento científico, arma branca e  invisível aos seres normais, buscando incessantemente controlar mentes, pensamentos, tendências, informações, conteúdos e, quiçá, o espírito do rebanho que dormita sobre o planeta.
Na África, o presidente Obama justificou a medida fundamentado no fato de que todos os governos, na prática, possuem o seu sistema de informações e que possuem, também, seus setores de inteligência furtiva, querendo com isso, constatar o óbvio, mas dando a ele uma roupagem política, enquanto argumento de defesa perante à opinião pública, algo do tipo: todo o mundo faz isso! E ele não está errado. O certo, é que o errado praticado por todos, ratifica e justifica a proposição, cuja lógica se assenta na ideia de que,  se todos comem cocô, por isso, cocô deve ser bom. Todos, teclam, Obama!.
Desde hackers especializados que buscam captar as senhas bancárias dos ignóbeis tecladores da web, até as grandes empresas que, em troca da aparente gratuidade dos serviços que prestam, colhem informações que valem ouro: o que você compra, o que você lê, o que você gosta, com quem você fala, com quem você não fala, o que você pensa, o que você come, qual a sua religião, etnia, condição sócio-econômica, o que aparecerá na tela de seu computador a partir do que já apareceu na tela do seu computador, todas, dirigidas pelas suas aparentes e livres escolhas, acompanhados de seu mouse ou das teclas de um aparelhinho qualquer. 
A iniciativa privada, com extensos contratos escritos em letras miúdas formatados e dirigidos para proporcionar a reação esperada - não lê-los - fatura milhões em troca das informações pessoais lastreadas em dados colhidos com muita segurança pela Google, Faceboock, Twiter, Microsoft, etc. Nós, animais imaginativos, vemos nas telas dos computadores imagens fascinantes, olvidando o aspecto facínora que se embute no contexto dos sistemas internacionais de transmissão de dados.
O que haveria de comum entre a falência do sistema de transmissão de satélites brasileiros, com a quase clara sabotagem da última tentativa em, contando com a parceria da Ucrânia, dominar a tecnologia de satélites e resguardar, ao menos um pouco, a soberania nacional, sobretudo no que tange à tranquilidade da sociedade brasileira, especialmente naquilo em que se consorcia com espaço vital tecnológico, entendido como aquele em que, como desprendimento do domínio tecnológico, fica, se não totalmente protegido de invasões espiãs , certamente mais próximo de um controle e administrações soberanos.
Num contexto onde o mundo, através de uma significativa parcela pensante da humanidade, vem cuspindo na política insana, degradante e degradada da guerra fria, a maior potência do mundo, criada sob uma base principiológica sólida no que tange às garantias individuais, sobretudo aquelas afetas direta ou indiretamente à liberdade, a cada dia dá prova de sua ganância política e o desejo, então obsessivo, de dominar, a qualquer preço, o mundo. Hitler e Obama se diferenciam apenas pela forma de agir. Um, declara o seu desejo por poder, poder, e mais poder. O outro esconde o seu desejo por poder, poder e mais poder. As desculpas e as justificativas estão fora do padrão de vibração imperante nos tempos atuais.
A estátua da liberdade usa fones de ouvido (talvez por isso tenha sido reformada), modernos, claro, com tecnologia de última geração, mas o seu espírito, antes de liberdade admirável, não se consorcia, ao menos no imaginário do mundo, com o espírito de deplorável animosidade contra tudo e contra todos. Cremos: contra si mesma e  contra os fundamentos existenciais que a tornaram, a nação estadunidense, no que se tornou, o que, ao nosso ver, implica em dar sinais de deteriorização moral, loucura e uma espécie de neurose, aquela que só se cura com uma bala na cabeça, ou melhor, com um tiro no próprio pé (ficou mais leve né?).
Edward Snowden, vítima do sistema de manipulação da opinião pública americana, já é tratado como traidor. Ao haver denunciado esse invasivo programa de governo (na verdade, crime contra a humanidade), Edward dá um exemplo de coragem, exemplo esse que, com mais ou menos certeza, será lembrado na história da humanidade. O cerne do modelo que devemos imitar, pois, tratado como traidor por uma cúpula asquerosa que sobrevive de pensar que manda, acabou por demonstrar que um novo ciclo se faz anunciar no mundo, o da verdade universal. Tudo o que já sabíamos, vem sendo demonstrado pelas inusitadas circunstâncias, seja no mundo árabe, seja no Brasil, seja no Egito, seja em Cuba (ops, animei-me), seja na Europa e , como vimos, seja nos Estados Unidos. 
Um novo conceito de patriotismo se desvela, graças a esse jovem integrante da Agência de Segurança Nacional nortista. Edward Snowden retoma os valores de sua ancestralidade genética (porque o espírito sempre assopra onde quer), traduzindo o que há de melhor na América. Edward é Presidente de sua República sem ocupar cargo público. Obama, assim como outros no mundo (pigarroteando), se elegeram parecendo que eram democratas, mas, segundo se viu, ocultando probabilidades incautas e tenebrosas. Até Bush se surpreendeu. A lição ancestral norte-americana, deixou de ser ouvida: você pode enganar algumas pessoas, algum tempo; muitas pessoas, por muito tempo; mas não pode enganar todo o mundo o tempo todo.
Não vou falar do Brasil, porque o Brasil ainda está sobre a ação gravídica da Terra. Nós somos os seus filhos.
A anatel, depois que o Lula retirou a autonomia de sua estrutura funcional para nomear companheiros, coitada, nem sabe direito do que se trata. Um algo, como diz o Ministro da Comunicações, tipo assim, megadata. Mega, o foi, a indolência com a segurança de seus administrados.
Se o público invade dados privados (e públicos), o que se dirá das empresas privadas que prestam um serviço que, não sendo público, foi publicizado em nome de, certamente, alguma vantagem?
Google, Facebook, Dell, e outras do mesmo gênero, corrompem o sistema de liberdades à revelia de todas as nações. Edward nos alertou acerca da profunda canalhice que cerca governos e grandes corporações. O público e o privado reciprocamente estupraram nossa confiança em Estados e discursos, públicos ou privados.
Edward Swoden, um agente público que denunciou o próprio governo para alertar as nossas individualidades e inviolabilidades, do crime contra a humanidade cometido.
A ONU?
Procure na Google, se o governo americano deixar. Não use um computador da Dell nem explorer na  internet através do navegador da Microsoft, porque eles já devem saber, pelo seu sistema de filtragem, que eu os detesto. Se quiser, podem postar no facebook, mas jamais se esqueçam de rezar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A blogueira que não fuma charutos cubanos.(ou: onde há fumaça, há fogo)

     É impossível ter acompanhado os últimos fatos envolvendo a blogueira cubana e sua passagem pelo Brasil, sem haver se comovido com o barbarismo promovido pelos animais paleolíticos que circulam em nossa era, grunhindo palavras de ordem sem sentido, organizados em forma de partidos de esquerda. Foices e martelos ceifaram o direito à liberdade de expressão, desejando que a verdade de Cuba se escondesse como um prego, no seio de uma cara de pau qualquer. Bateram, fortemente, contra uma hipótese: a de que vivemos no século XXI, tempo em que a liberdade de expressão convive harmonicamente com a estrutura das sociedades modernas e livres e a circulação da informação é considerada o sistema venal das democracias. Não dissemos "sociedades perfeitas", mas livre o suficiente para respirar a chance de  aprimoramento. 
     Os animaizinhos balbuciavam sua histeria contra uma mulher baixinha e magrinha, argumentando possibilidades desimportantes, tais como "ela é da CIA", "ela recebe dinheiro dos capitalistas para trabalhar" (hã?), chegando a fazer circular pela internet indagações que ela jamais conseguiria explicar, porque nunca conseguiria mesmo responder as perguntas que são feitas por quem jamais desejou qualquer resposta. A avalanche de pequenas e desimportantes manifestações ocorridas como desprendimento da presença da baixinha blogueira, apresentou um quadro que merece alguma reflexão. 
     Imaginemos que a  hipótese levantada com ares de denúncia conspiratória fosse verdadeira e comprovada, qual seja,  de que Yoany Sanchés representasse os interesses ianques, sendo uma agente da CIA que recebe dinheiro de verbas secretas que lhe são repassadas por meio de empresários europeus, via empresas fantasmas geradas para fomentar a divisão do terceiro mundo socialista, soviético ou não. Não seria mais inteligente deixá-la falar?
     Por onde essa moça passou, foi literalmente cercada. Estaria trazendo uma bomba osamibabilônica? De fabricação anglo-saxônica? Certamente que não, salvo se reputarmos bombásticas,  as verdades trazidas a tiracolo pela mesma, e, como recurso linguístico, acatarmos como explosivas as notícias que traz de seu país.
         Ela veio apenas detalhar o óbvio. Se isso é verdade, não houve uma desproporção entre a sua simples presença no país e o estardalhado que ganhou ares de notícia importante, ocupando toda a mídia nacional e internacional? O que é que não queriam que ela dissesse?              Porque tumultuaram sua chegada,suas  palestras, suas entrevistas, lançamento de vídeo e livros, seguindo os seus passos como nem a KGB faria de forma organizada e providencial.
      Dizer que a juventude socialista e a velharia que ainda ganha dinheiro vendendo camisa do CHE, o  Guevara, desejavam defender os seus pontos de vista ideológicos me parece improvável. Nossos jovens, mesmo os socialistas, não são tão burros assim. Nossos velhos não gastariam sua grana para coisa tão inútil.
        O que temeram os tiranossauros da esquerda brasileira? A desproporcionalidade entre a passagem de Yoany pelo país e o alvoroço criado diante de sua presença merecem reflexão.
    Iria ela de repente entregar quem recebe dólares castristas para poder compor o parlamento brasileiro? O fluxo econômico que alimenta a esquerda e seus partidos, ou as falsas direitas que simulam oposição, estaria ameaçado com a divulgação de algum segredo que Yoany pudesse trazer na sua bagagem? A possibilidade não é de toda inverossímel, já que boa parte dos políticos de esquerda, sobretudo os que atuam no altiplano da cúpula governamental, frequentaram os cursos de guerrilha urbana financiada por Castro. Não apenas políticos, mas escritores, compositores, músicos, e outros profissionais cujo segmento contribuiu muito para chamada mentalidade socialista brasileira, a mesma que introjetou no Brasil a confusão entre caridade e revolução, entre filantropia e controle político e ideológico...essa semana uma Medida Provisória ampliou o programa do bolsa família e noticiou-se a possibilidade do Brasil adquirir da Rússia baterias antiaéreas....e isso nem foi reputado tão bombástico assim! Mas a baixinha blogueira.....coitada! micro agente norte-americana que ousa receber para trabalhar....se lançarem figurinhas da revolução cubana, a premiada será a figurinha carimbada da política brasileira...seus fluxos e refluxos financeiros, quase-financeiros e outros, ocultos ou não. 
   Os párias ininteligíveis e ininteligentes, tiranossauros rex alimentados pela corrente detestavelmente burra da esquerda brasileira, e sua ideologia imbecil, mantidas com as verbas desviadas do orçamento público nacional cotidianamente (e, ao que parece, de forma mensal), continuarão a grunhir toda as vezes que gotículas de coragem ousarem detalhar o óbvio. A tentativa de bloqueio à voz de Yoany é mais detestável do que o bloqueio à Cuba, pois grunhem. com bem lembrou a baixinha blogueira, num país livre onde se pode, inclusive, grunhir.
      Tiranossauros Rex possuem uma enorme boca, um cérebro desproporcional ao seu corpo e, felizmente, braços curtos. Ao menos menores do que o Brasil. 
   Sinceras desculpas Yoany. O país pede perdão por permitir, democraticamente, que mesmo as manifestações mais esdrúxulas possam se desenvolver em nome da liberdade, esse espírito invisível que permeia a alma de todas as pessoas de todos os países do mundo livre.
     Não pensemos que nossa cela é outra da denunciada pela cubana. Mal começamos a galgar o caminho do exercício da liberdade. Quando você for a um posto de saúde (que Deus lhe proteja), ficar quatro horas esperando para ver um ente querido morrer por meio do sistema único (hoje em dia estão dizendo que a moda é desligar equipamentos né?), experimenta reclamar e ver o que acontece. A mesma coisa que acontece em Cuba. É melhor não falar nada né?
(silêncio reverente)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fatos que surgem a jato quebram telhados de vidro.

Os fatos são acontecimentos percebidos pela psiquê humana, que num processo de introjeção transmutativa, dão à consciência um juízo de valor que afeta o comportamento dos povos, maculados, via de regra, por uma rede sistêmica de preceitos recebidos hereditariamente pelos filhos dos filhos, em respeito ao pai de todos os pais. Adão que nos perdoe: a dor da sua queda nos pertine! Dói como deve doer às imagens, ver de suas partes um todo dilacerado pela fatalidade, quando um espelho se quebra. Fragmentos de imagens sob o chão que sustenta passos indecisos, entre o ser e o não ser de sua convicção. Fatos são coisas que passam, as vezes rápido demais, às vezes com a velocidade de um jabuti. Fatos podem ser imperceptíveis, e,  no que podem ser imaginados, subsistem à vaga de toda e qualquer incredubilidade. Podem, portanto, não serem notados, mas fatos, como fotos, registram imagens livres daquilo que pode ter passado desapercebido de nós, atados ou não pela atenção que se exige de quem deseja compreender algo. Fatos podem ser pintados como quadros cuja imagética transpõe possibilidades factíveis. Fatos são coisas destinadas ao esquecimento, salvo se registrados pela memória do homem, do homem de verdade.
Nas últimas semanas, os fatos derem conta que o Supremo Tribunal Federal os iria julgar, mas adiaram as possibilidades. Um Ministro pediu vistas para ver os fatos registrados nos papéis escritos pelas partes, através de seus representantes processuais. Pediu vistas para conhecer do processo, porque anos não são suficientes para medir possibilidades.
Enquanto o tempo passava, o mensalão, como foi cognominado  o processo da rapina coletiva instituída no âmbito do poder, pela compra de votos, dentre outros fatos, "bocejava" adoidadamente. Um Ministro do Supremo, no uso de sua supremacia, foi visitar o ex-Presidente que, sobre os fatos, afirmara que não sabia de nada. "Eu não sei de nada", é um fato ou uma frase? Uma frase escrita pode descrever um fato, ou acalentá-lo no imaginário pessoal de alguém do povo, porque frases de efeitos geram efeitos cuja causa são fatos ocultados pelo Ministro, enquanto visitava o ex. O ex...comungado comunga do fato de que todos tem direito de defesa. Por favor: menos vistas dos autos. Foda-se o regimento interno. Onde está o regimento externo?
Um Ministro do órgão de cúpula do Poder Judiciário vai conversar com o ex-Presidente da República. Se você pensou que eu estou sendo repetitivo, saiba que a repetição se evidenciou na semana em que os fatos se repetiram, como se quisessem um prazo para a consulta de si mesmos.
Vou mudar a oração: Outro Ministro do Supremo Tribunal Federal foi falar com  o ex-Presidente da República, na semana do julgamento do chamado mensalão. Para cooptar Deputados e Senadores, o processo era mensal, mas para julgá-lo, a quem diga que deveria ser chamado de anualão. Para os pessimistas, seculão. Para nós: argh!!!
Empresários, construtoras, governo, Governadores, Prefeitos, Funcionários Públicos, ora em greve, ora em grave...descalabro existencial, promoveram fatos interessantes, em forma de Delta. Dizem que a polícia federal vai realizar uma operação batizada de operação ômega, para resolver o problema da delta sem afetar o alfa. Alfafa começa com alfa.
Essa ciranda de fatos e visitas a ex-Presidentes que não sabiam de nada são fatos, circulam entre fotos e imagens. Ministros que compreendem o princípio da imparcialidade e o da distância das partes envolvidas em qualquer julgamento, praticam atos de fato, inclusive inexistirem em caráter expressivo.
Oscar Niemayer quando projetou o prédio do Supremo Tribunal Federal imaginou, imaginamos, que o órgão do Judiciário deveria zelar pela transparência. O povo de fora enxerga os Ministros e seus acessores, mas as janelas de vidro podem quebrar, sobretudo quando o que os telhados ocultam são desenhados à luz da obviedade mais singela; obviedade oculta pelo fato de que, de acordo com a lei, todos são inocentes, até prova em contrário. Prove o contrário! Vai povo! Prove o contrário se for capaz.
Se um marginal do PCC for visitar um juíz dias antes de seu julgamento, não se tratará de fato político, mas tentativa de formação de quadrilha, qualificada pelo resultado, qualquer que seja ele. Mas quando os fatos apontam para o fato de que Ministros do STF podem visitar ex-Presidentes da República antes do julgamento do Eternão, digo, do caso do mensalão, tudo é tratado como fato político. Fato criminal, fato político, fato consumado, fato, fatia, falcatrua, foda-se e alfafa, tudo são aspectos fáticos da mesma coisa.
Julgar como um jabuti ou correr para pedir benção ao ex-qualquer coisa por qualquer motivo, são fatos, e fatos, como se disse, passam rápido ou devagar. Divagar é preciso, temer não é preciso...
Para encerrar a tese de que fatos são fatos, um caça da força aérea brasileira, num rasante, transformou as janelas do prédio do Supremo Tribunal Federal em cacos de vidro. Cacos de processo...cacos de vidro.
Eu duvido que o povo não interpretou esse fato com um certo sorriso interior, proporcional ao esporro que deve ter sido gerado com o som e a supressão de sua barreira. Zuuuuuuummm.Pouuuuuuuu. Crrassssh.
Fatos podem surgir a jato. Vidros podem quebrar. Telhados insubsistentes despencarem sobre as cabeças que pensam estar sobre os pescoços de jabutis.

quarta-feira, 28 de março de 2012

A poesia despindo-se da realidade dos programas de governo.

Esta semana fui marcado por uma experiência sui generis. Fui procurado para opinar acerca de um problema vivenciado por um casal que habita em um imóvel adquirido por um sistema de arrendamento instituído por um programa de governo chamado PAR (Programa de Arredamento Residencial). Trata-se de um programa que tem o fito de proporcionar às pessoas de baixa renda uma oportunidade de adquirir um imóvel a preço subsidiado. A idéia é, em síntese, fazer frente à carestia incrementada pelo alto custo representativo dos aluguéis no orçamento popular, e, ao mesmo tempo, proporcionar ao arrendatário a chance de adquirir, no futuro, o imóvel arrendado. Arrendar um imóvel é, pois, numa linguagem mais simples, alugá-lo.
O programa envolve, sobretudo, as esferas municipais e federal de poder. A Caixa Econômica Federal é a instituição responsável pela administração do financiamento e do imóvel (na verdade ela escolhe uma empresa para administrar os imóveis). A prefeitura compra ou cede o terreno, a Caixa administra a incorporação, uma construtora é escolhida para erguer  a obra, enquanto o Governo Federal subsidia o  preço . A Municipalidade administra a fila de interessados.
Empreendida a síntese explicativa do programa, fujamos da sua conceitualização, para adentrar na percepção de uma parte da população que ao mesmo aderiu e acabou por se decepcionar com o mesmo. Aqui começa o relato da experiência que desejamos compartilhar.
Uma cliente enviou-me uma mensagem eletrônica que deveria ser remetida ao Palácio do Governo. Ressalto o timbre emocial externado pela mesma: um misto de indignação e desespero.
Relata a nossa protagonista que não consegue dormir, pois nas altas madrugadas, um bando de desocupados faz baderna embaixo de seu apartamento. Desocupados que participam do programa, ora como arrendatários, ora como progenitores sociais do caos futuro que seus filhos instituirão. Ameaçam quem ameaça reclamar, não raras vezes chegando às vias de fato e, de fato, de dano. Relata que compreende o intuito do programa, mas, aderente ao mesmo, faz externar a sua frustação apontando que, face ao baixo custo do arrendamento, o nível cultural dos agraciados está em sintonia com a proporcionalidade que o preço proporciona (sem trocadilhos ou aliterações). No seu dizer, ao invés de aproveitar o baixo custo do arrendamento para aprimorar a sua vida profissional, boa parte daqueles que desfrutam do programa usam o imóvel para outros fins, não raras vezes escusos.
O casal (minha quase cliente e marido) deseja sair do programa. Pela conversa que tive com os mesmos, parece se tratar de pessoas simples, mas muito bem postadas. Relatam que o que poderia ser uma vantagem social, acabou por se tornar um desastre em sua vida pessoal. Enviaram-me uma fotografia da pichação que fizeram abaixo de sua janela: ladrões safados, descreve o teor do ato pichatório, que de vexatório só não faz desprender a cor utilizada para danificar o prédio (branca).
Bêbados, ladrões, traficantes, vagabundos, incultos e quase seres representam boa parte daquela vizinhança.
Chamou-me a atenção o fato de que a crítica partiu de quem usufrui do programa, portanto, daqueles que se encontram no centro do sistema de relações posto em jogo quando se vincula ao que o governo promove.
Embora tenha ficado triste com o que imagino esteja vivenciando o casal, fiquei ainda mais surpreso com a sua consciência em relação ao problema posto, sob o foco econômico e social. Não existe, ao que parece, um critério coerente de escolha das pessoas que irão participar do programa, nem o comprometimento com a harmonia, salubridade, paz social e ordem nos conjuntos habitacionais submetidos a esse programa. Os que poderiam , como se diz hoje em dia, dar um up em sua vida pessoal, ficam impedidos de promover o sucesso do programa, porque o programa não programou como e sob quais critérios se deveria  selecionar os aderentes ao projeto. Tem começo, mas não tem um meio ou um fim adequados. Se os políticos que encancram as COHABS da vida trocarem favores com aqueles outros que de vez em quando conseguem se eleger Prefeito de uma cidade qualquer, transformando programas de governo em plataformas politiqueiras, as penitenciárias serão substituídas por conjuntos habitacionais em regime de arrendamento. Sem um estudo dos perfis sócio-econômicos dos pretendentes à vantagem econômica que lhes é oferecida, em detrimento das vantagens não oferecidas a outros, o governo estará subsidiando currais eleitorais, subsidiando, portanto, iniquidades esquisofrênicas e debilidades senis, porque os velhos procedimentos desde há muito tempo caducaram. Subsidiando, diga-se de passagem, com o nosso dinheiro, fruto do nosso trabalho.
O programa PAR, esquizofrênico desse jeito, deveria se chamar PARE. Mas isso é assunto para outra postagem.
Nos resta, para adocicar a amargura de nossa quase imutável constatação - a de que o Estado pertuba nosso senso lógico de bem existir - reproduzir uma parte de uma poesia extraída do blog a poesia despida (http://apoesiadespida.blogspot.com.br/2012/03/homo-sapiens-sapiens-visibilium-ii.html) , sob o título  homo sapiens sapiens visibilium II  , que se passa a reproduzir:

"...A resposta, senhoras e senhores, ecoará eternamente,

no fundo dos ouvidos de quem ouve.

Será óbvia quando, fora do tempo, finalmente,

se observar que o que se crê que existe

jamais houve.... "

Viva a boa poesia, pois é o estado interior sublimado em possibilidades plausíveis!!!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Orgãos de Estado: o ponto de equilíbrio entre a força de um Estado e as misérias de seu governo..

     O rei dividiu as terras do reino em capitanias que, por força do pacto de transferência dominial, acabaram por ser hereditarizadas. Depois....para encurtar a estória, o poder foi dividido e compartilhado a todos aqueles que não se incomodavam em beijar as mãos gordurosas do rei, perfumada com o odor das coxas das galinhas que ampararam a sua estada providencial  e real nas terras da providencialidade. Para encurtar a história, ainda mais, a estrutura que ampara o sistema existencial do Estado continua funcionando à moda antiga, com a única diferença de que antes, não se podia falar no Brasil de hoje, porque não se sabia o rumo que a coisa iria tomar, e hoje, o Brasil de antes se avizinha pelos tempos porvires, demonstrando que o tempo é circular, tornando à diferença estabilizada pela redução das conceitualidades, até que diferente e similar, sejam iguais, tão iguais, que antes e depois, mediados pelo agora, só poderiam ser interpretados como nunca ou jamais. Sempre foi assim.
     O que se pretende externado com esse joguete de palavras é demonstrar que o Brasil deve urgentemente transmutar alquimicamente suas estruturas existenciais, para que o conceito de Estado se amalgame ao de direito e, por vias reflexas, ao de democrático. Espero que o tempo em que associar a expressão "democrático" à liberdades inócuas e sem finalidade específica, já esteja superado, do contrário, nem vale a pena comentar sobre o tema dessa publicação: órgãos de Estado e órgãos de governo.
     Os órgãos de governos dinamizam os valores acolhidos em determinado momento do tempo, valendo-se da máquina administrativa, enquanto os órgãos de Estado acompanham as mudanças coordenando e estabilizando tendências que possam colocar a própria existência do Estado em risco.
     Os órgãos de governo submetem-se as tendências ideológicas das lideranças escolhidas temporariamente pelo povo, enquanto os órgãos de Estado protegem o povo de sua própria escolha, incluídas as escabrosas e inexplicáveis.
     Os órgãos de governo mudam de partido, o de Estado são apartidários. Um berra suas sandices, outro as escuta parcimoniosamente sem se alterar.
     Um exemplo clássico desse binômio, de alguma forma, está representada no parlamentarismo, onde compatilham do poder o chefe de Estado (Rei, Rainha, Presidente da República) e o Primeiro Ministro, como chefe de governo. Em países desenvolvidos, as Câmaras Legislativas e Executiva (que se acumulam nas funções de governo) são dissolvidas e convocadas novas eleições. Às vezes é o o chefe de governo quem cai.
     No Brasil, perigosamente, os órgãos de Estado vem agindo como órgãos de governo, o que, observadas as referências acima alojadas, significa dizer que o que berra sandices temporárias é o mesmo que as escuta, tornando de governo (valores provisórios) soluções que deveriam ser de Estado (valores estáveis) , anarquizando as forças que representam os pilares estruturais do Estado e de sua organização.
     Caso típico dessa confusão vem ocorrendo com o CNJ - Conselho Nacional de Justiça - órgão paritário composto de vários representantes de setores segmentados da função jurisdicional atribuída ao Estado e que tem por função fiscalizar e aprimorar a estrutura de aplicação de leis no Estado Brasileiro.
     O Supremo Tribunal Federal - igualmente órgão de Estado - fingindo que atua como tal, vem obstacularizando a atuação do CNJ num contexto onde  se noticia salários acima de R$ 550.000,00 , juízes que não prestam declaração de imposto de renda e que, muito cá entre nós, tentam impedir que ações comparáveis a de uma quadrilha, pudessem ser descobertas pelos órgãos de controle, cujo mister é constitucionalmente instituído.
     O Supremo, em que pese haver em alguns casos alguma confusão quanto ao mérito de algumas causas, quando divulgadas por leigos, na verdade vem impedindo com sofismas sintaticamente duvidosos, o que, numa linguagem franca e direta significaria : "O CNJ quer apurar os valores que alguns juízes andam movimentando em suas contas correntes, variação de valores, inclusive, acusada pelo COAF, que estranhamente só agora se pronunciou. Todos aqueles que se opôem, via entidade de classe, a essa fiscalização (respeitado o direito de controlar abusos de Estado e de governo) nada mais fazem do que dar sinais claros de que os órgãos de Estado estão se politizando, no pior sentido possível de se acatar".
     Os órgãos do Estado querem governar. Na medida em que esse processo se evidencia, a sociedade fica desamparada e insegura, pois os entes criados pelo pacto federativo para estar acima das oposições objetadas pela transitoriedade e precariedade dos partidos políticos representados no poder, enquanto manifestação de uma forma de gerir, com seus valores e tudo, estão se associando sem perceber, por vínculos invisíveis e visíveis, aos órgãos de governo, portanto, aos detentores provisórios do poder, dando margem à criação de um estado de coisas que torna o Estado um brinquedo de roubar gerido por crianças psicológicamente pertubadas que pensam que o Estado e o governo lhe pertencem e, por isso, podem deles fazer o que bem entender. O poder faz os tolos esquecerem de sua própria transitoriedade na existência e no tempo.
     Parlamentar significa falar, conversar. Parlamentemos antes que devamos fugir para o Haiti, pleiteando encarecidamente por um asilo político.
Não. Erramos. O modelo de Estado é que precisa, urgentemente, de um asilo. Sem direito à pensão do Estado. Parlamentemos sobre isso. Parlamentarizemos, pois.